segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Porões

Chego naquele sala escura e esfumaçada. Seu cheiro obscuro me fecha as narina enquanto procuro um cigarro no bolso.

Todos estão sentados no chão. Sento-me e peço fogo. As conversas paralelas começam a invadir minha mente enquanto acendo meu cigarro.

Todos falam muito. Todos falam alto. Todos querem ter razão.

Eu costumava falar. Agora não mais. De que adiantaria?

Ninguém se escuta nessa onda incessante de monólogos.

Ninguém se agrupa, ninguém se compreende.

Como um antropólogo, observo.

Observo como se nunca fizesse isso e caio no absurdo.

Já não interessa mais.

Já não ME interessa mais.

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