sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Cartinha para o Papai Noel

Querido Papai Noel,

Não me lembro qual foi a última vez que escrevi uma cartinha pedindo algo de Natal. Bem, com a falta de perspectiva e as respostas em aberto, só há uma coisa que posso pedir: uma bolsa.

Podemos nos agarrar aos nãos ou podemos optar pela esperança. Faço minha escolha agora e deixo o universo decidir: opto pela esperança.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

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Algumas histórias quase soam como contos de fadas; para algumas delas não há melhor início que um clásico "Era uma vez...". Essa é uma dessas histórias, daquelas nas quais acompanhamos a transformação da personagem de garota desajeitada a heroína salvadora de todos os males. Bem, não exatamente. 

Era uma vez uma garota que não tinha amigos. Pequenina, estranha com seus óculos grossos de aro vermelho, andava na sua bicicleta rosa com um livro na cestinha. Subia e descia as ruas cheias de paralelepípedos sentindo o tremor causado pelo chão irregular, sorrindo e sonhando com o dia que, como uma borboleta, cresceria e poderia ser quem desejava ser. Não que ela já soubesse qual era sua verdadeira vocação: com tantos interesses e um mundo tão vasto, como ousaria saber?

Em alguns dias, fazia um curativo em seu joelho e desejava ser médica. Mas não qualquer médica: uma médica que ajudasse quem precisa. Leu em um livro que crianças na África morriam de fome; se questionava, então, se deveria se mudar para a África. Leões, girafas, elefantes e grandes rios ocupavam a sua imaginação e coexistiam com tartarugas do deserto. Em outros, pegava seu caderno e sonhava em escrever histórias de dragões e baús mágicos encontrados em sótãos abandonados.

Não se sabe como pois ninguém percebeu, mas a menina que não gostava de bonecas mudou. Já não mais calada, ainda perguntava muito, mas tinha tantas certezas e opiniões que ocupavam então o sua mente encantada. Desiludida, nada mais tinha graça. Foi-se mergulhando no quadrado no qual não se encaixava: quem sabe se tentasse ser um hexágono aproximaria-se mais do que deveria ser. Tantos conceitos, tantas confusões, tantos desejos não-saciados.

Imaginava, assim, um mundo utópico onde pudesse voltar a respirar: como não o encontrava, refugiava-se em filmes sem sentido para preencher o tempo. Sonhava em morrer cedo, em passar pela vida vazia da forma mais efêmera que conseguisse. Começa, dessa maneira, a reviravolta da nossa história.

A mudança de cidade abalou-a e a fez ir ao fundo do poço e após uma tentativa - fracassada! - de suicídio deparou-se com palavras que a dariam força. Sua inteligência sempre foi um fardo, mas ela aprendeu que a poderia usar para buscar a solução para seus problemas e inventar um novo "eu"; um "eu" caricato, superficial, mas tão protetor!


domingo, 27 de outubro de 2013

a necessária catarse
contorce o que concerne
ao conserto da pulsação

equilíbrio consequente
da catarse iminente
alguns dias são apenas dias
dias esses que esperamos o relógio rodar
que as sensações entram em suspensão

dias chuvosos que demoram a vir
banhar a alma que só pulsa
acelero o relógio

não quero apenas esperar o ponteiro girar

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre a [in]justiça do mundo

A idéia de justiça, a meu ver, surgiu para que os homens pudessem criar formas de se relacionar e sair do "estado de natureza". Ora, a própria noção de meritocracia se usa do conceito de justiça para se fundamentar. Entretanto, não há uma definição apropriada de justiça com a qual eu me contente. 

Se justiça estivesse relacionada com igualdade, o mundo não é justo; se justiça estivesse relacionada com esforço, o mundo não seria justo; se justiça estivesse ligada com a ordem, o mundo não seria justo. Assim, parece-me mais eficiente falar sobre a injustiça do mundo.

Injustiça essa que nos atinge diariamente, que é promovida pelos processos de dominação e pelos jogos de poder. Em maior ou menos grau, todos os indivíduos podem relatar casos de injustiça cotidianos. No meu caso, ainda estou aprendendo a fugir da ideia de que "todo esforço será recompensado". Talvez essa noção tenha funcionado no meu âmbito familiar, mas a sociedade hipócrita força a tradição familiar a ensinar uma cultura que acaba não sendo reproduzida fora da micropolítica. 

Particularmente, não consigo destruir a noção de justiça dos meus sentimentos e isso me causa angústia e sofrimento. Tento esquecer para continuar viver, mas algumas coisas não são racionalizadas e internalizadas como outras.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

~~ em crise

Interessante como os acontecimentos podem mudar alguém. Sinto-me diferente, mais forte e mais frágil, mais confiante e mais pessimista; tudo ao mesmo tempo. A vida te atropela quando você menos espera e as neuroses - as minhas, ao menos - tornam-se tão evidentes quanto diversas. Como uma pessoa em chamas, sinto a ardência em minha pele; fictícia, mas ainda cruel. Acreditava que um pouco de água traria calma, ilusão poética da visão ingênua que me restava. Agarro-me a essa ilusão como alguém que sabe que pode ser jogado do barco a qualquer segundo - e a maré? só tormenta.



sexta-feira, 7 de junho de 2013

Leis escritas por homens que acham que sabem e entendem tudo que as mulheres querem. E seu primeiro erro é justamente pensar que todas as mulheres são iguais.

Esse é o típico pensamento do machista, que acha que mulher quer sempre um macho alfa, com carrão importado, dinheiro no bolso e sexo com violência. Como podem achar isso se, muitas vezes, foram educados por - pasmem! - mulheres?!?

Valores distorcidos, egocêntricos e fundamentados numa sociedade da dominação, iludidos e ilusionistas que acreditam nos absolutos: tolos, todos tolos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Concha

Os bons escritores usam as palavras para descrever seus desejos, medos, anseios. Mas como posso escrever o que ainda não consegui assumir para mim mesma?

Costumava achar que sou um livro aberto, que todos os meus sonhos e desejos eram evidentes. Agora não mais: há muito em mim a ser descoberto e preciso descobrir sozinha. 

sábado, 19 de janeiro de 2013

A Lógica pode ser vista como um processo interno, de raciocínio, que parte da mente para o mundo. A partir dela, formulamos e derivamos idéias e pensamentos.

Por outro lado, os Universais que nos são ofertados e impostos partem do mundo para a mente, interferindo na nossa racionalidade ao creditar às generalizações grande poder.

O grande problema é quando tratamos de racionalidades cotidianas, onde as exceções e concepções devem ser revistas perante especificidades tais que nos forçam a não aceitar as conclusões tiradas classicamente.

Temos, então, que recorrer a outros tipos de formalizações não-clássicas, como a paraconsistência [na qual possuímos ferramentas para não descartar completamente contradições] e a não-monotonicidade [que nos determina essa revisão perante novas informações].

Assim, rejeitamos os universais apenas quando os aceitamos a priori como informações confiáveis. O bom-senso e o conhecimento comum, portanto, são necessários para a reformulações de novas concepções e desenvolvimento de novos conceitos, num dualismo dialético entre o concebido e a verdade.
Quando a vida atira uma flecha em seu peito e você tropeça na pedra que estava no meio do caminho, é preciso parar e reformular algumas escolhas. Nada tem de errado em reconhecer que, às vezes, uma borracha pode ser sua melhor amiga; nem que seja para melhorar a letra.

Numa crença indefinida que botamos nos outros, esperamos receber o que depositamos; esquecendo, talvez, de colocar o cheque em nosso próprio nome. Só para lembrar que ainda nos importamos com o íntimo com o qual convivemos, com a prisão libertária que viver nos coloca em.

Parece tão ingênuo e egoísta que travamos missões para corromper os destinos que queríamos traçar para nós mesmos. Nada como uma mangueira em dia quente para renovar a esperança das soluções simples.