domingo, 25 de setembro de 2011

Bipolar

Vejo, irônico e lascivo, seu comportamento desigual. Palavras que negam as entranhas, buscando certa racionalidade que não encontra espaço nas artérias.

Onde estará a urgência?

Onde estarão os passos na entrada de meu apartamento?

Onomatopéias no piso de madeira inaudíveis àqueles que não conhecem...

Morrer

Ah! A morte!

Num suspiro dos incompreendidos levanto questões acerca da morte...

O que é morrer? Seria a morte física, inabalável e inevitável? A morte celular, energética, viceral? O fim da consciência à qual nos apegamos ao longo dos anos?

Devemos temer a morte? Medo do depois, medo do nada, medo do tudo?

Um grande amigo vê a morte como uma festa e convida todos a brindarem vestidos de roxo; outro, temeroso, calcula e planeja o que será feito de seu corpo e bens.

Eu?

Declaro, ainda imutável, meu desejo de me doar ao outro, próprio da minha necessidade de aceitação e do meu patológico complexo de herói.

Declaro, também, minha total falta de controle sobre minha própria morte: façam o que precisarem para superar a minha presença que poderá ser contínua, incessante, ou, mesmo, efêmera; já não tenho mais certeza.

Salvo um momento como esse, não dedico pensamentos acerca da morte: foge-me o desespero do além, do infinito.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ruínas

Em alguns momentos, sinto como se todas as minhas certezas tivessem sido amassadas e jogadas no chão como um velho papel de bala. Jogado ao vento, sujando as ruas, esquecido no tempo. Nestes mesmos momentos, não posso deixar de sentir que sou responsável, de certa forma, por perder minhas certezas.

Ilusões que criamos para que o mundo seja mais colorido, interessante ou, mesmo, dramático. Para que na inércia de nossas vidas possamos ter um chão onde mover as peças de um jogo de tabuleiro.

Ah... Essas certezas...Certezas que insisto em me iludir perante suas existências... Certezas que criam expectativas dilaceradas...

domingo, 18 de setembro de 2011

Serenidade


Fotos, vídeos, textos, músicas, dança...

Qualquer manifestação do meu eu mais íntimo soa-me como uma invasão de um corpo que ainda não realizou sua revolução anarquista.

Talvez seja incrível como podemos ser tão duros e inflexíveis ao mesmo tempo que somos tão serenos e vulneráveis.

Quando meu amigo clicou essa foto, sentia uma mistura de timidez e vergonha, modéstia e insegurança.

Entretanto, ao final: gostei do resultado. Mostrou-me um lado que não conhecia de mim mesma.

Personas Desconstruídas





Ana Cholodovskis Por Filipe Maia

sábado, 17 de setembro de 2011

Histórinha

Era uma vez um gato muito curioso.

Ele queria saber de tudo: como, quando, onde, por quê, será?

Cada uma de suas perguntas tinha um significado secreto para ele mesmo.

Tentando compreender o mundo, ele não conseguia se contentar apenas com uma resposta simplória.

Ele criou, então, um sistema para organizar as respostas às suas perguntas: Cada prateleira correspondia a um tipo de pergunta.

'Como' lhe dava uma direção do funcionamento das coisas.

'Quando' temporalizava seu pensamento e segregava em compartimentos o acontecimentos.

'Onde' lhe dava, em mapas, a localização e a diferenciação geográfica dos eventos.

'Por quê' era, por alguma razão, a prateleira mais bagunçada e incompleta do pobre gatinho.

'Será' era apenas uma pergunta, que representava a dúvida em relação à qual das perguntas anteriores realmente lhe faria compreender as coisas no mundo. Era, também, sua prateleira favorita.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Argumento Narcisista

Brincando com palavras e operadores, acabei pensando em algo que poderia ser considerado engraçado. Ao menos, extraiu de mim alguns risos contidos.

Parece-me razoável que se conheço j (Kij), então eu conheça que conheça j (KiKij). Talvez seja intuitivo que conheça o que conheço sobre algo, pois, se conheço j, de verdade, deveria conhecer aspectos desse j, incluindo que conheço que conheço j, ou não o conheceria de fato. Talvez pensemos assim para nutrir uma base narcisista de uma auto-confiança inexistente em relação ao nosso próprio conhecimento.

Não posso conhecer o que o que não conheço (~(Ki~Kij)); assim como não poderia deixar de conhecer o que conheço (~(~KiKij)); e, se conheço que conheço j (KiKij), então devo conhecer que conheço que conheço j (KiKiKij); e esse argumento valeria ad infinitum: Ki...Kij. Assim, ao menos em relação ao fato de conhecer j, teria um conhecimento apronfudado.

Ora, aquele que possui amplo conhecimento acerca de algo pode ser classificado como um sábio. 'Sábio', entretanto, é uma definição dada pelo outro, externa e alheia ao que eu conheço que conheço de j ou ao que eu penso sobre mim mesmo. Embora haja essa alienação, conhecer profundamente y, onde y pode ser interpretado como conheço que conheço j (KiKij), daria-me razões quase-suficientes para justificar uma crença em minha própria sabedoria?

Assim,

(Ki...Kij) ! Bic ???

Tal que, Ki...Kij pode ser lido como "`conheço que conheço...que conheço j"' e Bic pode ser lido como "`Acredito que sou um sábio"'.

Ignorem os erros lógicos, não considerei propriedades propositalmente.

Os símbolos foram alterados ao transformar o texto para HTML (consertarei mais tarde).

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Questionamentos

Como instigar a cultura da dúvida?

Duvidar e questionar as proposições que nos são impostas, de tal forma que possamos deixar de aceitar conceitos que segregam, separam, formentam ódio e intolerância?

O mundo contingente não nos dá as certezas necessárias para que não possamos duvidar. E a dúvida, tida como negativa, na verdade, pode ser considerada o motor da mudança.

Veja a ciência e seu método hipotético-dedutivo,que assume a identidade das hipóteses falseáveis.

Veja o questionamento às falácias de autoridade que desenvolveram novas formas de se agir em sociedade.

O medo da mudança e a necessidade da certeza como conforto conformista podem estagnar o que podemos chamar de vanguarda.

Vanguarda artística, vanguarda filosófica... Inícios de não-aceitação do que convenções culturais nos impõem como certezas.

O Absoluto não encontra seu lugar fora das utopias.