segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

I tell you this... I tell you that...

Não interessa mais o que eu fale, posso mudar minha argumentação durante ela mesma. Quem irá dizer que não posso?
Adoro uma estética do dito masculino... Dos chapéus aos ternos bem cortados, como numa cena de um filme antigo, imagino aquele lado menos plumado, menos florido da estética humana. Traços mais angulares que côncavos, formando imagens indescritivelmente militares.
Paradoxo freudiano dessa sociedade fálica, que mistura o desejo secreto pelo masculino e sua representação de poder violento, e a abominação deste mesmo masculino que pode representar a morte, a tirania.
Dualidades dentro do ser. Dualidades que não me deixam ser. Admirações pelo secreto e imundo que o racional e o belo excluem como parte do ideal. Mas nos confrontamos diariamente com essa dicotomia.
Como aquele beco que fede e ao mesmo tempo duela com o hotel de luxo, como se o meio-termo não pudesse existir. Extremos que poderiam ser confundidos com o mesmo lado, dependendo das faces analisadas.
Liberdade e moral caminham lado a lado, como se, para proteger o outro da hostilidade de mim mesmo, tivesse que aceitar uma ética social imposta. O problema é que, muitas vezes, preciso. Como preciso! Agir como um alucinado que se sente independente faz tanto ou menos sentido que seguir essas convenções para proteger os outros de nós mesmos.
Mas como nos protegermos de nós mesmos? Ciclos de auto-sabotagem, que parecem não ter um começo nem fim. Claro, são ciclos. Não adianta buscar respostas nesse vale encantado e ilusório, pois as confrontações tornam-se constantes e evidentes.
Claro, posso sempre mudar de opinião, mesmo quando já a estou defendendo. Mas de que isso interessa se, a princípio, você já não estava entendendo o que queria dizer?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Capítulo 3

Levanto-me tarde com lágrimas nos olhos. Nesse domingo vazio preciso me libertar, preciso viver. Fado-me a livrar-me das amarras postas pelas minhas escolhas: não mexerei mais naqueles vinis empoeirados. Não pertencendo a ninguém, posso sair dali, deixar tudo que me faz sentir impotência para trás. É o que faço, poupo os detalhes, pois eles se perdem dentro da imensidão finita dos meus minutos que, agora, voltaram a ser meus. Posso respirar e, como uma borboleta que acaba de sair do casulo, explorar aquilo que ainda não havia explorado em sua intensidade.
Me volto a um corpo específico: o meu. Confrontando minha própria visão da realidade, esquizofrênica e individual ao meu modo, me deparo com psicopatologias da vida cotidiana contemporânea. Posso, agora, pensar novamente acerca do mundo. Começo a me encantar e a me reapaixonar por tudo aquilo à qual havia perdido a paixão. Na minha jovialidade inerente consigo descobrir minha maturidade e minha ingenuidade infantilizada que são belas, à sua própria maneira. Visualizo o mundo de forma diferente, dentro de um ideal cinematográfico que chamo de realidade. Fantasio com fetiches filosóficos.
Lembro-me como se fosse ontem um dos primeiros contatos que tivemos. Um bilhete escrito a mão que continha um detalhe que fez toda a diferença, o detalhe que chamou minha atenção: a inicial. Assinar apenas com sua inicial me traz uma idéia de confiança individual, aliada a um mistério cujos segredos são descobertos aos poucos. Desde então, nunca mais pude deixar de me encantar com tais iniciais. A assinatura. Algo que me chama atenção desde o início. Talhar sua marca apenas com sua inicial demonstra uma certa confiança individual, uma certa afirmação de si mesmo para o mundo; o anonimato que se projeta, o mistério e o segredo sendo revelados aos poucos.
Como em um livro de suspense, começo a desejar unir o que é me dado, para compor, dentro dessa união, um novo único que, ao mesmo tempo, já me soa antigo e ultrapassado. Dualidades de um mundo não necessariamente dual, no qual as interações não devem ser forçadas, mas aproximadas respeitando o espaço de colisão. O choque, assim, ganha uma nova dimensão dentro de sua torre, como protegido e reservado como arma forte do revolucionário. A fluidez das palavras ganha novo sentido, dentro do jogo argumentativo para compor uma visão. Nada é descartável, nada é fundamental. Quero tudo, tudo agora, tudo rápido, tudo ao mesmo tempo. Não posso perder esses fragmentos da minha vida com aquilo que me faz sofrer. Passo, então, a ver beleza nas subjetividades; beleza na construção, beleza na destruição.
Às vezes preciso escrever para que não me escape nenhum detalhe. A maior parte dos detalhes se vai, deixando o passado borrado, como um porão obscuro cheio de caixas de papelão. "Sei" o que as caixas guardam, mas me escapa o que EXATAMENTE elas contêm. Os odores misturados demandam um olfato aguçado, como de um cão de caça, mas o meu não foi desenvolvido ao longo dos anos. Pinceladas coloridas se misturam com a escuridão infestada, e o feixe de luz que vem da janela deixa o pó e os ácaros à mostra. Janela que hora é enorme, hora é minúscula; que se contrai e se dilata, como uma pupila que responde aos estímulos externos.
É o "meu" porão, onde ursinhos de pelúcia se chocam com livros desbotados e de onde tiro minha bagunça habitual. Tenho vontade de abrir minhas caixas, espiar por entre as frestas das abas, mas não consigo; me falta uma lanterna que nunca encontro. Achei que meu crachá me daria acesso ao seu conteúdo, mas apenas pude passar pela porta do porão, ultrapassei meu limite de acesso. Sento e espero. È tudo que posso fazer agora.

O Existencialismo é Ingênuo

Com toda sua inocência, o existencialista se dirige à exitência ao seu lado. Não interessa agora o que você faz ou o que acredita: já é uma potência interessante apenas por estar aí.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Às vezes, tudo que uma mente inquieta precisa é do bom e velho lápis e papel. öO"

Ah... o papelzinho.

Quão bem ele me fez, quão bem ele me faz.

Não sei o que seria de mim sem minhas anotações, listas...

Preciso pensar sobre o papel. Sempre.

O.o