quinta-feira, 10 de março de 2011

Perdido

Como descrever a treva que me invade? A sensação de prisão que se sente em um barco à deriva que ainda não sabe em que cais ancorar? Perdidos nas estrelas apagadas pela lua - a única beleza que ainda consegue se sustentar impassível na negritude da noite.
Pouco a pouco, coisas que me são caras, claras e certas ruem num terremoto imperceptível, deixando uma lacuna que não consigo preencher com palavras. Virtualizar o futuro tornou-se nebuloso, como um gato negro que dorme por entre as folhagens na noite sem luar. O que escrever quando não se consegue limpar o que se pensa? 

Treinamento do Romântico

Do amanhã preciso acordar
Na aurora dos seus sonhos
De um êxtase a  se acabar

Do doce dos seus lábios
Macios como o veludo
Escondem-se os sábios

Da aventura distante
Retorno solitário
Da busca do amante

O mar de meus olhos
Inunda nosso barco
Deixando-o em frangalhos

quarta-feira, 2 de março de 2011

Arte do Desacaso

Nos tropeços trêmulos
Me encaixo
Nas formas simples
Olho abaixo

Em meio ao negro
Encontro o pavor
Sombra que me segue
Aonde eu for

Desando, enfim
Desalinhado
Em meio à noite
Emaranhado

Procuro, assustado
Busco, então
Num desepero
Minha paixão

Histórias Inusitadas

Sentado num velho banco de madeira, observo atentamente os transeuntes que passam com suas malas sóbrias e suas mochilas rasgadas. Encaro a placa que diz "Aeroporto" e, numa mistura de vazio, saudade e alegria, penso no que faço ali e na minha volta para casa. Meus olhos se fixam numa aeromoça que acende um cigarro próxima à lata de lixo. Ela tem os cabelos cuidadosamente penteados, presos sem um fio fora do lugar, e sua roupa azul me lembra os trajes militares das mulheres. Sua boca está adornada por um batom de vermelho intenso, uma cor viva demais para essa hora da manhã ensolarada.

Asas quebradas

Me sinto como um pássaro que deseja voar e não consegue. Seu caminho parece muito longo e correntes de vento o atrapalham a enxergar suas opções.

Quisera eu estar num navio, vagando sem caminho e esbarrar naquilo que sempre quis achar e nunca encontrei.

Soluções mágicas que não aparecem em alucionações desesperadas. Todos os sonhos que se dissipam entre as nuvens de algodão doce.