sexta-feira, 21 de outubro de 2011

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Ter que criar personalidades que se encaixem com as expectativas impostas pelas diversas facetas sociais que nos rodeiam é tão complicado.

Em alguns meios, isso se torna mais evidente. Entretanto, sinto uma constante busca de como lidar com o mundo.

Uma angústia se perpetua em mim, alternando intensidade e forma à medida que as situações ocorrem.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Carta a Ninguém

Os ponteiros do relógio continuam girando, os dias e as noites, se alternando.

A memória de "você" vai se apagando lentamente: já não me lembro muito bem como soa sua voz, tampouco como são os traços do seu rosto. Reduzido a um nome, à uma ideia de você, temo que, com o passar do tempo, nada mais reste.

Mas você ainda não será reduzido a um nome anotado em um papel: resisto, pois não quero esquecer nada que vivi; resisto, pois todas as coisas parecem-me importantes demais para que a poeira as consuma.

Não exijo o mesmo tratamento. Aliás, não me importo com o que você faz com a memória do meu "eu". Gostaria de saber, claro, assim como minha curiosidade me impele a saber tantas coisas.

Tudo soa tão distante e ilusório, mas, ao mesmo tempo, íntimo e secreto. Envolta em seu afastamento, uma saudade invade meu corpo e tenta controlar minhas ações: consigo, em muitas ocasiões; em outras tantas, deixo-me levar, ingenuamente, por crer que desta vez possa ser diferente.

Mas nunca é. A forma se altera, mas o conteúdo é sempre o mesmo e os resultados, sempre frustantes. Lembro-me, então, do canto de outro ariano: "Você sai de perto eu penso em homicídio / Mas no fundo eu nem ligo".

Contradições que me assolam e me confundem: as diferentes partes de mim falam, agora, línguas que não se entendem.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Nem tudo é o que parece.

Mesmo. :o

Consciência

1998. São Paulo. Avenida Pinheiros. 22h00.

Ainda era uma criança, mas minha curiosidade há anos aumentava como minha altura. Lembro-me, particularmente bem, do dia que tomei consciência de mim mesma.

1998. São Paulo. Avenida Pinheiros. 22h00:  Data, Local e Hora. Com minhas mãos pequenas, frias pela temperatura do ar, toco a maçaneta do carro. Sou tomada por uma estranha sensação de consciência: aquela mão é minha; MINHA.

Parece piada, muitos rirão. Mas nunca senti sensação mais estranha do que a epifania de me reconhecer como eu mesma; não sou o outro, tampouco ele sou eu.

As experiências que vivi são minhas. Os pensamentos que me assolam, meus. Os interesses que regem parte de minhas escolhas, frutos desse ser que se reconhece como o "eu".

"Quem sou eu" já era uma pergunta complexa, a partir desse momento, passou a ser A pergunta mais complexa que tento responder. Para muitos, existe uma resposta óbvia. Mas será tão óbvia assim?

Não sou o que sou pela referência ao outro - poderia ser; não sou o que sou pelo meu gosto - poderia ser; não sou o que sou pelas minhas escolhas - poderia ser. Sou e não sou potência.

Talvez da dualidade e da dificuldade de me definir e me enquadrar tenha tirado um aspecto mutante, metamorfo. Talvez opte pela vida nômade, pela contradição de escrúpulos, pelas morais falidas.

1998. São Paulo. Avenida Pinheiros. 22h00: Data, Local e Hora que me mudaram para sempre.

Silêncio

Silencio minha voz quando não sei mais o que dizer: parte já foi dito; parte ainda não pode ser dito, ainda não foi formulado para que eu possa expor.

Como um pensamento-criança, tento protegê-lo do externo que pode corromper algo ainda puro. Descontruir o que ainda não foi construído soa-me integralmente imprudente.

Entretanto, as bolhas criadas em minha mente custam a estourar: uma neblina não permite que eu veja se o pensamento-embrião está pronto para nascer.

Parece loucura tentar expressar o indizível...

Meus afetos se misturam às minhas razões - ou à falta delas.

Silencio, por não saber o que dizer.

Silencio, por não saber dizer.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Deriva

Não preciso de palavras eternas ou promessas vazias. Dou a verdade por querê-la de volta, a empresto, por assim dizer. Devem saber para que não se encontrem no limbo que se tornou minha morada atual.

Em meu nomadismo, o controle foge e o sangue pulsa, os sonhos voam e as palavras escapam. Olho ao redor desejando um sinal da descoberta e me frusto por não conseguir decifrar o que recebo.

Ego abalado como se tivesse sido atingido por uma avalanche e me sufoco em meio a essa força. Força que guarda em um cofre toda a sinceridade.

Quero descobrir os segredos, entender as angústias. Oferecer meu seio como descanso, minhas coxas como as boias de resgate.

No barco pirata de nós, a clandestinidade se instaurou. Por que não mais duas doses de rum?