sábado, 15 de janeiro de 2011

Capitulo 4

Acordo sentindo e não sentindo ao mesmo tempo. Como se meu turbilhão de emoções agora estivesse contido num espaço inerte, apenas esperando para ser liberado, me cubro com o lençol negro para me esconder da fresta de luz que entra por entre as cortinas. Um otimismo me soca, como se quisesse me tirar de um estado naturalmente deprimido, tendência dos revoltados. Utilizo a fresta para iluminar meu pequeno caderno rasgado e, com letras de caligrafia tosca, escrevo palavras sem sentido. Uma nuvem circula a confusão que as palavras quase soltas no caderno tentam transparecer. Uma tranquilidade se assola sobre mim e tenho vontade de ocupar meu corpo para anestesiar minha mente. Nos únicos instantes que me permito descansar, os pensamentos invadem, todos ao mesmo tempo, meu cérebro e eu sinto as sinapses correndo e ligando meus neurônios. Quase posso escutar esse processo veloz e assustadoramente encantador. Vivo para sentir e nesses momentos em que sinto que não sinto, fico com um pavor que parte do meu coração. Vale a pena viver, à nossa maneira. Só não posso deixar que meu buraco negro suguem os outros ao meu redor, preciso controlá-lo.

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