quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Invasão

Existe uma idéia de que a televisão molda as pessoas e controla seus desejos. Em parte, sim, molda uma opinião e mexe com o mais íntimo das máquinas desejantes: o seu desejo.

Mas a mídia é veículo, seu poder não se constitui pelo apoio popular ou por cabeças imaginárias. A interferência se dá pelo conteúdo, que dentro da nossa configuração biopolítica, é ditado por aqueles que detêm o poder; ou seja, pelos grupos de interesse que regem a política mundial.

Desde o remédio que tomamos até nossa obediência se dá por vários veículos, mas partindo do mesmo que controla o conteúdo. Essa invasão que abusa dos corpos cansados, das mentes atrofiadas e de crenças é sempre negativa: eles pensam POR você e tiram aquilo que é só seu: a liberdade.

A invasão dos corpos não se dá apenas pela ação sobre a sua vida, sobre suas escolhas individuais que remetem ao seu biológico. Ela se dá no mais íntimo de todas as suas escolhas, influenciando principalmente aquelas que tomamos automaticamente, sem reflexão.

Nos apegamos a questões mundanas distribuídas em categorias definíveis para os outros que nos limitam, tornando o outro um ser sempre hostil, ameaçador.

Nos ameaçamos, assim, com aqueles que pensam por si e também por aqueles que se deixam ser pensados. Não vamos à base, criticamos o que é visto, o que nos é mostrado.

Fundamentamos a sociedade contemporânea em valores ultrapassados e modernos, sem nos darmos conta de que não superamos esses valores por algo novo, inovador, único.

Apoiamos a soberania e as identidades de grupo, nos rotulamos para que possamos conviver e selecionamos quais convenções iremos seguir - esquecendo que ainda são convenções.

Daí me pergunto: e o indivíduo? Quem se preocupa com ele?

O indivíduo acaba sendo renegado à sua identidade de grupo, seja ela pelo sexo, cor, crença ou gosto.

Será que não entendem que provar ṕ=ṕ é mais difícil do que nossa intuição imagina?

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