quarta-feira, 7 de maio de 2014

esquizofrenia solipsista

Quisera eu ver o mundo classicamente, no qual tudo se segue da forma como deveria ser. Entretanto, seria ingênuo demais ignorar os fenômenos como parte do meu cotidiano. 

Se o que vemos são versões da realidade, a minha versão é intuitivamente não-monotônica e paraconsistente. Talvez seja essa esquizofrenia solipsista que reja meus interesses, preocupações, divagações. Nada mais justo se relacionado com o pouco conhecimento que tenho de mim mesma.

No jogo de análise dessa realidade inconstante, comparações são inevitáveis. Por outro lado, o que me resta é apenas tentar ser consistente.

~~~ insônia

deitar a cabeça no travesseiro e tentar dormir para mim é como bater um papo infindável com tudo que passa pela minha mente

terça-feira, 6 de maio de 2014

Empoderamento Individual

Tenho pensado muito na questão do empoderamento individual. "Solipsisticamente", por assim dizer.

Refletindo sobre a minha vida, orgulho-me dos momentos que me impus de verdade, momentos estes que me fizeram tomar as rédeas da minha própria vida e não deixar que outrxs dominassem minhas escolhas. Talvez faça sentido para quem, como eu, acredita que somos a soma das consequências de nossas próprias escolhas.

Entretanto, me assustei muito com a quantidade de informação necessária para tomar certas escolhas que ditam como viveremos. Gostaria de não oprimir ninguém, nunca, mas não me parece viável pertencer a uma sociedade que estimula vícios e esconde informações relevantes.

Quantos produtos de uso cotidiano não são produzidos com trabalho-escravo, por vezes, trabalho-infantil? Ou, ainda, quantos não dependem do sofrimento de animais?

Entrando em contato com o feminismo interseccional, tive uma visão mais ampla de que nenhuma frente deve ser combatida isoladamente. Porém, são tantas as crueldades e opressões vigentes que me perco no simples "por onde começar".

Se o empoderamento deve ser feito nos âmbitos individual, relacional e coletivo, parece-me prudente, assim, começar pelo individual. Focar no poder da auto-estima, da conscientização e da aplicação dos conceitos na minha própria vida.

Para tanto, preciso trabalhar o empoderamento relacional (já bem encaminhado nessa altura da vida) e deixar claras certos posicionamentos àqueles com os quais me relaciono de alguma forma.

Talvez quando me sentir forte possa voltar aos espaços coletivos. Apenas espero não demorar toda uma vida para tal.



domingo, 4 de maio de 2014

por uma lógica feminista

Idéias>


Obrigatoriedade ~~ Box ~~ Necessidade

Opcionalidade ~~ Diamond ~~ Possibilidade

Quadrado Lógico

~~~ Refletir +

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Cartinha para o Papai Noel

Querido Papai Noel,

Não me lembro qual foi a última vez que escrevi uma cartinha pedindo algo de Natal. Bem, com a falta de perspectiva e as respostas em aberto, só há uma coisa que posso pedir: uma bolsa.

Podemos nos agarrar aos nãos ou podemos optar pela esperança. Faço minha escolha agora e deixo o universo decidir: opto pela esperança.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

~~~

Algumas histórias quase soam como contos de fadas; para algumas delas não há melhor início que um clásico "Era uma vez...". Essa é uma dessas histórias, daquelas nas quais acompanhamos a transformação da personagem de garota desajeitada a heroína salvadora de todos os males. Bem, não exatamente. 

Era uma vez uma garota que não tinha amigos. Pequenina, estranha com seus óculos grossos de aro vermelho, andava na sua bicicleta rosa com um livro na cestinha. Subia e descia as ruas cheias de paralelepípedos sentindo o tremor causado pelo chão irregular, sorrindo e sonhando com o dia que, como uma borboleta, cresceria e poderia ser quem desejava ser. Não que ela já soubesse qual era sua verdadeira vocação: com tantos interesses e um mundo tão vasto, como ousaria saber?

Em alguns dias, fazia um curativo em seu joelho e desejava ser médica. Mas não qualquer médica: uma médica que ajudasse quem precisa. Leu em um livro que crianças na África morriam de fome; se questionava, então, se deveria se mudar para a África. Leões, girafas, elefantes e grandes rios ocupavam a sua imaginação e coexistiam com tartarugas do deserto. Em outros, pegava seu caderno e sonhava em escrever histórias de dragões e baús mágicos encontrados em sótãos abandonados.

Não se sabe como pois ninguém percebeu, mas a menina que não gostava de bonecas mudou. Já não mais calada, ainda perguntava muito, mas tinha tantas certezas e opiniões que ocupavam então o sua mente encantada. Desiludida, nada mais tinha graça. Foi-se mergulhando no quadrado no qual não se encaixava: quem sabe se tentasse ser um hexágono aproximaria-se mais do que deveria ser. Tantos conceitos, tantas confusões, tantos desejos não-saciados.

Imaginava, assim, um mundo utópico onde pudesse voltar a respirar: como não o encontrava, refugiava-se em filmes sem sentido para preencher o tempo. Sonhava em morrer cedo, em passar pela vida vazia da forma mais efêmera que conseguisse. Começa, dessa maneira, a reviravolta da nossa história.

A mudança de cidade abalou-a e a fez ir ao fundo do poço e após uma tentativa - fracassada! - de suicídio deparou-se com palavras que a dariam força. Sua inteligência sempre foi um fardo, mas ela aprendeu que a poderia usar para buscar a solução para seus problemas e inventar um novo "eu"; um "eu" caricato, superficial, mas tão protetor!


domingo, 27 de outubro de 2013

a necessária catarse
contorce o que concerne
ao conserto da pulsação

equilíbrio consequente
da catarse iminente
alguns dias são apenas dias
dias esses que esperamos o relógio rodar
que as sensações entram em suspensão

dias chuvosos que demoram a vir
banhar a alma que só pulsa
acelero o relógio

não quero apenas esperar o ponteiro girar

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Sobre a [in]justiça do mundo

A idéia de justiça, a meu ver, surgiu para que os homens pudessem criar formas de se relacionar e sair do "estado de natureza". Ora, a própria noção de meritocracia se usa do conceito de justiça para se fundamentar. Entretanto, não há uma definição apropriada de justiça com a qual eu me contente. 

Se justiça estivesse relacionada com igualdade, o mundo não é justo; se justiça estivesse relacionada com esforço, o mundo não seria justo; se justiça estivesse ligada com a ordem, o mundo não seria justo. Assim, parece-me mais eficiente falar sobre a injustiça do mundo.

Injustiça essa que nos atinge diariamente, que é promovida pelos processos de dominação e pelos jogos de poder. Em maior ou menos grau, todos os indivíduos podem relatar casos de injustiça cotidianos. No meu caso, ainda estou aprendendo a fugir da ideia de que "todo esforço será recompensado". Talvez essa noção tenha funcionado no meu âmbito familiar, mas a sociedade hipócrita força a tradição familiar a ensinar uma cultura que acaba não sendo reproduzida fora da micropolítica. 

Particularmente, não consigo destruir a noção de justiça dos meus sentimentos e isso me causa angústia e sofrimento. Tento esquecer para continuar viver, mas algumas coisas não são racionalizadas e internalizadas como outras.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

~~ em crise

Interessante como os acontecimentos podem mudar alguém. Sinto-me diferente, mais forte e mais frágil, mais confiante e mais pessimista; tudo ao mesmo tempo. A vida te atropela quando você menos espera e as neuroses - as minhas, ao menos - tornam-se tão evidentes quanto diversas. Como uma pessoa em chamas, sinto a ardência em minha pele; fictícia, mas ainda cruel. Acreditava que um pouco de água traria calma, ilusão poética da visão ingênua que me restava. Agarro-me a essa ilusão como alguém que sabe que pode ser jogado do barco a qualquer segundo - e a maré? só tormenta.



Is anybody there?