sábado, 11 de novembro de 2023
terça-feira, 21 de abril de 2015
~~ just thoughts that came from a fever
Sempre brinco que ser diferente parece beirar à desobediência civil: ser diferente é escancarar que aquilo que se submetem não é ~ ou pelo menos, não DEVERIA ser ~ necessário. Ora, já cheguei a ouvir que "se todos fôssemos mais alternativos morreríamos de fome". Morreríamos mesmo?
- "alternativo" é um termo utilizado amplamente esquecendo-se, por vezes, que ele é relativo à norma; ora, isso nos leva ao problema de definir a normatividade. A normatividade cultural está em crescente processo de mudança, vivemos em um processo de constante adaptação de novos padrões vigentes. A norma é algo quase utópico, feita para que apenas alguns indivíduos possam alcançá-la (isto está intimamente ligado ao papel instrumentalista da norma nos processos de dominação). Suponhemos, assim, que existem normas e que aqueles que não às seguem são "diferentes", "alternativos", etc.
- tomo uma certa liberdade com o termo "desobediência civil" de Thoreau: acredito que qualquer ação consciente de desobediência das normas impostas aos civis (maior parte da nossa população) poderia trazer aspectos revolucionários e de protesto. Vide que não falo em 'leis', mas em 'normas': as leis também são normas, mas outras tantas normas advêm do tradicionalismo, da hierarquia familiar, da religião, etc; particularmente, normas são instrumentos de segregação que visam dominação. Ora, se as normas são instrumentos de dominação, não cumprí-las conscientemente é, de certa forma, ir contra a dominação.
Entretanto, o sistema de dominação que sustenta a Humanidade (sim, ousarei generalizar para toda a Humanidade, pois sociedades que são baseadas em algum tipo de dominação são, infelizmente, a esmagadora maioria das conhecidas até hoje e generalização é importante para esclarecer o ponto de teorias sociais) é tão bem construído que quando desobedecemos somos segregados e oprimidos: tiram-nos a voz, o poder sobre nós mesmos, nossas escolhas.
Quando digo que alguns atos apenas "beiram à desobediência civil" refiro-me aos atos não completamente conscientes, porém, que incomodam tanto aos seguidores da norma, que acabam cumprindo seu objetivo.
Mas isso pode ser só uma alucinação da febre, então apenas continuemos desobedecendo!
- "alternativo" é um termo utilizado amplamente esquecendo-se, por vezes, que ele é relativo à norma; ora, isso nos leva ao problema de definir a normatividade. A normatividade cultural está em crescente processo de mudança, vivemos em um processo de constante adaptação de novos padrões vigentes. A norma é algo quase utópico, feita para que apenas alguns indivíduos possam alcançá-la (isto está intimamente ligado ao papel instrumentalista da norma nos processos de dominação). Suponhemos, assim, que existem normas e que aqueles que não às seguem são "diferentes", "alternativos", etc.
- tomo uma certa liberdade com o termo "desobediência civil" de Thoreau: acredito que qualquer ação consciente de desobediência das normas impostas aos civis (maior parte da nossa população) poderia trazer aspectos revolucionários e de protesto. Vide que não falo em 'leis', mas em 'normas': as leis também são normas, mas outras tantas normas advêm do tradicionalismo, da hierarquia familiar, da religião, etc; particularmente, normas são instrumentos de segregação que visam dominação. Ora, se as normas são instrumentos de dominação, não cumprí-las conscientemente é, de certa forma, ir contra a dominação.
Entretanto, o sistema de dominação que sustenta a Humanidade (sim, ousarei generalizar para toda a Humanidade, pois sociedades que são baseadas em algum tipo de dominação são, infelizmente, a esmagadora maioria das conhecidas até hoje e generalização é importante para esclarecer o ponto de teorias sociais) é tão bem construído que quando desobedecemos somos segregados e oprimidos: tiram-nos a voz, o poder sobre nós mesmos, nossas escolhas.
Quando digo que alguns atos apenas "beiram à desobediência civil" refiro-me aos atos não completamente conscientes, porém, que incomodam tanto aos seguidores da norma, que acabam cumprindo seu objetivo.
Mas isso pode ser só uma alucinação da febre, então apenas continuemos desobedecendo!
sábado, 4 de outubro de 2014
domingo, 17 de agosto de 2014
~~~
Intriga-me o fato de não conseguir ter controle pleno sobre mim mesma. Gosto de pensar em mim como uma pessoa racional, mas sei que não o sou. Pelo menos, tento ser. Similarmente, meus sentimentos também se mostram desregulares, aformes, indomináveis. Atribuem essas características ao meu signo de fogo - mas quem é que ainda acredita em alguma coisa mesmo?
Por mais vezes que eu gostaria, imagens fantasiosas povoaram meus sonhos, minha mente, meu coração. É quase como se meu corpo procurasse um extremo, talvez no intuito de extravasar algo inconsciente. Ou não: posso ser apenas uma tola que caiu nas armadilhas manipulativas alheias. Alguns dias prefiro apenas estar num estado de dormência semi-consciente no qual possa viver uma realidade paralela distinta, invocada pelo descontrole.
Entretanto, ao invés de interagir com tigres, dragões, ostras voadoras e outros tantos frutos imaginativos da era infantil, atualmente me transporto para novos amores, novos lugares, diferentes profissões. Não que não esteja feliz com minha realidade: a amo e não poderia esperar outra melhor. Por outro lado,
acho que sempre haverá em mim aquela pitada de " e se as coisas fossem diferentes? e se eu tivesse tomado outras escolhas? e se não tivesse afastado certas pessoas?".
Justamente nesse jogo é que percebo que nunca funcionaria estar muito próxima àqueles que potencializam minhas trivialidades: eu explodiria sempre.
Por mais vezes que eu gostaria, imagens fantasiosas povoaram meus sonhos, minha mente, meu coração. É quase como se meu corpo procurasse um extremo, talvez no intuito de extravasar algo inconsciente. Ou não: posso ser apenas uma tola que caiu nas armadilhas manipulativas alheias. Alguns dias prefiro apenas estar num estado de dormência semi-consciente no qual possa viver uma realidade paralela distinta, invocada pelo descontrole.
Entretanto, ao invés de interagir com tigres, dragões, ostras voadoras e outros tantos frutos imaginativos da era infantil, atualmente me transporto para novos amores, novos lugares, diferentes profissões. Não que não esteja feliz com minha realidade: a amo e não poderia esperar outra melhor. Por outro lado,
acho que sempre haverá em mim aquela pitada de " e se as coisas fossem diferentes? e se eu tivesse tomado outras escolhas? e se não tivesse afastado certas pessoas?".
Justamente nesse jogo é que percebo que nunca funcionaria estar muito próxima àqueles que potencializam minhas trivialidades: eu explodiria sempre.
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Esse medo que me prende parece não ter raízes nem um topo... É como uma folhagem densa que preciso cavar e abrir com meu facão. Infelizmente, meu facão está sem fio e sinto o fardo, assim, lentamente, tornar meus passos cada vez mais difíceis.
Ora, mas difícil é o ambiente no qual me sinto mais à vontade: do difícil vem o desafio. Esse incrível desafio de reencontrar o fio. Aos poucos o prazer volta trazendo a satisfação inigualável daquelas tardes abafadas de palavras-cruzadas e jogos de estratégia.
E sempre volto à questão da inquietude.
Ora, mas difícil é o ambiente no qual me sinto mais à vontade: do difícil vem o desafio. Esse incrível desafio de reencontrar o fio. Aos poucos o prazer volta trazendo a satisfação inigualável daquelas tardes abafadas de palavras-cruzadas e jogos de estratégia.
E sempre volto à questão da inquietude.
domingo, 29 de junho de 2014
sábado, 28 de junho de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
[falta de] consistência humana
Se possível, um dia, gostaria de entender como algumas pessoas podem ser tão consistentemente contraditórias: fico apenas esperando a explosão.
Eu até consigo conceber a idéia de um machista-branco-cis-hétero-conservador-megareligioso: é consistente com a linha do pensamento do "cara" [ainda que baseada em premissas que não aceito de forma alguma].
Mas anarquistas e esquerdistas pseudo-revolucionários propagando opressão eu não posso aceitar. Dá um bug no meu cérebro e eu preciso tirá-lo do conjunto de "revolucionários" pelo simples fato de tornar o conjunto inconsistente: eles simplesmente não preenchem o critério da propriedade.
Eu até consigo conceber a idéia de um machista-branco-cis-hétero-conservador-megareligioso: é consistente com a linha do pensamento do "cara" [ainda que baseada em premissas que não aceito de forma alguma].
Mas anarquistas e esquerdistas pseudo-revolucionários propagando opressão eu não posso aceitar. Dá um bug no meu cérebro e eu preciso tirá-lo do conjunto de "revolucionários" pelo simples fato de tornar o conjunto inconsistente: eles simplesmente não preenchem o critério da propriedade.
~~~ sobre o medo
Sempre tive muito medo: medo de ficar sozinha, medo de não me amarem, medo de ser agredida, medo de viver. Mas a coragem é uma droga, a coragem vicia, a coragem liberta.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
esquizofrenia solipsista
Quisera eu ver o mundo classicamente, no qual tudo se segue da forma como deveria ser. Entretanto, seria ingênuo demais ignorar os fenômenos como parte do meu cotidiano.
Se o que vemos são versões da realidade, a minha versão é intuitivamente não-monotônica e paraconsistente. Talvez seja essa esquizofrenia solipsista que reja meus interesses, preocupações, divagações. Nada mais justo se relacionado com o pouco conhecimento que tenho de mim mesma.
No jogo de análise dessa realidade inconstante, comparações são inevitáveis. Por outro lado, o que me resta é apenas tentar ser consistente.
No jogo de análise dessa realidade inconstante, comparações são inevitáveis. Por outro lado, o que me resta é apenas tentar ser consistente.
~~~ insônia
deitar a cabeça no travesseiro e tentar dormir para mim é como bater um papo infindável com tudo que passa pela minha mente
terça-feira, 6 de maio de 2014
Empoderamento Individual
Tenho pensado muito na questão do empoderamento individual. "Solipsisticamente", por assim dizer.
Refletindo sobre a minha vida, orgulho-me dos momentos que me impus de verdade, momentos estes que me fizeram tomar as rédeas da minha própria vida e não deixar que outrxs dominassem minhas escolhas. Talvez faça sentido para quem, como eu, acredita que somos a soma das consequências de nossas próprias escolhas.
Entretanto, me assustei muito com a quantidade de informação necessária para tomar certas escolhas que ditam como viveremos. Gostaria de não oprimir ninguém, nunca, mas não me parece viável pertencer a uma sociedade que estimula vícios e esconde informações relevantes.
Quantos produtos de uso cotidiano não são produzidos com trabalho-escravo, por vezes, trabalho-infantil? Ou, ainda, quantos não dependem do sofrimento de animais?
Entrando em contato com o feminismo interseccional, tive uma visão mais ampla de que nenhuma frente deve ser combatida isoladamente. Porém, são tantas as crueldades e opressões vigentes que me perco no simples "por onde começar".
Se o empoderamento deve ser feito nos âmbitos individual, relacional e coletivo, parece-me prudente, assim, começar pelo individual. Focar no poder da auto-estima, da conscientização e da aplicação dos conceitos na minha própria vida.
Para tanto, preciso trabalhar o empoderamento relacional (já bem encaminhado nessa altura da vida) e deixar claras certos posicionamentos àqueles com os quais me relaciono de alguma forma.
Talvez quando me sentir forte possa voltar aos espaços coletivos. Apenas espero não demorar toda uma vida para tal.
Refletindo sobre a minha vida, orgulho-me dos momentos que me impus de verdade, momentos estes que me fizeram tomar as rédeas da minha própria vida e não deixar que outrxs dominassem minhas escolhas. Talvez faça sentido para quem, como eu, acredita que somos a soma das consequências de nossas próprias escolhas.
Entretanto, me assustei muito com a quantidade de informação necessária para tomar certas escolhas que ditam como viveremos. Gostaria de não oprimir ninguém, nunca, mas não me parece viável pertencer a uma sociedade que estimula vícios e esconde informações relevantes.
Quantos produtos de uso cotidiano não são produzidos com trabalho-escravo, por vezes, trabalho-infantil? Ou, ainda, quantos não dependem do sofrimento de animais?
Entrando em contato com o feminismo interseccional, tive uma visão mais ampla de que nenhuma frente deve ser combatida isoladamente. Porém, são tantas as crueldades e opressões vigentes que me perco no simples "por onde começar".
Se o empoderamento deve ser feito nos âmbitos individual, relacional e coletivo, parece-me prudente, assim, começar pelo individual. Focar no poder da auto-estima, da conscientização e da aplicação dos conceitos na minha própria vida.
Para tanto, preciso trabalhar o empoderamento relacional (já bem encaminhado nessa altura da vida) e deixar claras certos posicionamentos àqueles com os quais me relaciono de alguma forma.
Talvez quando me sentir forte possa voltar aos espaços coletivos. Apenas espero não demorar toda uma vida para tal.
domingo, 4 de maio de 2014
por uma lógica feminista
Idéias>
Obrigatoriedade ~~ Box ~~ Necessidade
Opcionalidade ~~ Diamond ~~ Possibilidade
Quadrado Lógico
~~~ Refletir +
Obrigatoriedade ~~ Box ~~ Necessidade
Opcionalidade ~~ Diamond ~~ Possibilidade
Quadrado Lógico
~~~ Refletir +
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Cartinha para o Papai Noel
Querido Papai Noel,
Não me lembro qual foi a última vez que escrevi uma cartinha pedindo algo de Natal. Bem, com a falta de perspectiva e as respostas em aberto, só há uma coisa que posso pedir: uma bolsa.
Podemos nos agarrar aos nãos ou podemos optar pela esperança. Faço minha escolha agora e deixo o universo decidir: opto pela esperança.
Não me lembro qual foi a última vez que escrevi uma cartinha pedindo algo de Natal. Bem, com a falta de perspectiva e as respostas em aberto, só há uma coisa que posso pedir: uma bolsa.
Podemos nos agarrar aos nãos ou podemos optar pela esperança. Faço minha escolha agora e deixo o universo decidir: opto pela esperança.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
~~~
Algumas histórias quase soam como contos de fadas; para algumas delas não há melhor início que um clásico "Era uma vez...". Essa é uma dessas histórias, daquelas nas quais acompanhamos a transformação da personagem de garota desajeitada a heroína salvadora de todos os males. Bem, não exatamente.
Era uma vez uma garota que não tinha amigos. Pequenina, estranha com seus óculos grossos de aro vermelho, andava na sua bicicleta rosa com um livro na cestinha. Subia e descia as ruas cheias de paralelepípedos sentindo o tremor causado pelo chão irregular, sorrindo e sonhando com o dia que, como uma borboleta, cresceria e poderia ser quem desejava ser. Não que ela já soubesse qual era sua verdadeira vocação: com tantos interesses e um mundo tão vasto, como ousaria saber?
Em alguns dias, fazia um curativo em seu joelho e desejava ser médica. Mas não qualquer médica: uma médica que ajudasse quem precisa. Leu em um livro que crianças na África morriam de fome; se questionava, então, se deveria se mudar para a África. Leões, girafas, elefantes e grandes rios ocupavam a sua imaginação e coexistiam com tartarugas do deserto. Em outros, pegava seu caderno e sonhava em escrever histórias de dragões e baús mágicos encontrados em sótãos abandonados.
Não se sabe como pois ninguém percebeu, mas a menina que não gostava de bonecas mudou. Já não mais calada, ainda perguntava muito, mas tinha tantas certezas e opiniões que ocupavam então o sua mente encantada. Desiludida, nada mais tinha graça. Foi-se mergulhando no quadrado no qual não se encaixava: quem sabe se tentasse ser um hexágono aproximaria-se mais do que deveria ser. Tantos conceitos, tantas confusões, tantos desejos não-saciados.
Imaginava, assim, um mundo utópico onde pudesse voltar a respirar: como não o encontrava, refugiava-se em filmes sem sentido para preencher o tempo. Sonhava em morrer cedo, em passar pela vida vazia da forma mais efêmera que conseguisse. Começa, dessa maneira, a reviravolta da nossa história.
A mudança de cidade abalou-a e a fez ir ao fundo do poço e após uma tentativa - fracassada! - de suicídio deparou-se com palavras que a dariam força. Sua inteligência sempre foi um fardo, mas ela aprendeu que a poderia usar para buscar a solução para seus problemas e inventar um novo "eu"; um "eu" caricato, superficial, mas tão protetor!
Não se sabe como pois ninguém percebeu, mas a menina que não gostava de bonecas mudou. Já não mais calada, ainda perguntava muito, mas tinha tantas certezas e opiniões que ocupavam então o sua mente encantada. Desiludida, nada mais tinha graça. Foi-se mergulhando no quadrado no qual não se encaixava: quem sabe se tentasse ser um hexágono aproximaria-se mais do que deveria ser. Tantos conceitos, tantas confusões, tantos desejos não-saciados.
Imaginava, assim, um mundo utópico onde pudesse voltar a respirar: como não o encontrava, refugiava-se em filmes sem sentido para preencher o tempo. Sonhava em morrer cedo, em passar pela vida vazia da forma mais efêmera que conseguisse. Começa, dessa maneira, a reviravolta da nossa história.
A mudança de cidade abalou-a e a fez ir ao fundo do poço e após uma tentativa - fracassada! - de suicídio deparou-se com palavras que a dariam força. Sua inteligência sempre foi um fardo, mas ela aprendeu que a poderia usar para buscar a solução para seus problemas e inventar um novo "eu"; um "eu" caricato, superficial, mas tão protetor!
domingo, 27 de outubro de 2013
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